Resenha II "Inverno de Praga" - Uma História Pessoal de Recordação e Guerra, 1937-1948 - Madeleine Albright, Bill Woodward




Objetiva, 2014, 1ª Ed. 
“Madeleine Albright escreveu uma história notável de aventura e paixão, tragédia e coragem, tendo como pano de fundo a Tchecoslováquia ocupada durante a Segunda Guerra Mundial. Ao fazê-lo, forneceu percepções novas de eventos que moldaram sua carreira e nos desafiam a pensar profundamente sobre os dilemas morais que surgem em nossas próprias vidas.”—Václav Havel, ex-presidente da República Tcheca. Antes que Madeleine Albright completasse 12 anos, sua vida foi abalada pela invasão nazista da Tchecoslováquia — o país onde nasceu —, pela Batalha da Inglaterra, pela destruição quase total das comunidades judaicas europeias, pela vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, pela ascensão do comunismo e pelo início da Guerra Fria. Em Inverno de Praga, a autora narra suas experiências e as de sua família durante os doze anos mais tumultuados da história moderna. Madeleine Albright reflete sobre a descoberta, muitos anos após o fim da guerra, da herança judaica de sua família; sobre a conturbada história de seu país natal; e sobre as escolhas morais que todos pertencentes à geração de seus pais tiveram de enfrentar. Inverno de Praga levará os leitores do castelo milenar na capital boêmia aos abrigos antibombas em Londres, da desolação do gueto de Terezín aos altos conselhos europeus e americanos. Ao mesmo tempo um livro de memórias extremamente pessoal e um incisivo trabalho de pesquisa, Inverno de Praga apresenta o passado através dos olhos de uma das mais fascinantes e respeitáveis figuras da política internacional dos dias atuais. 
Foi apenas no ano de 1997 que Madeleine Albright e seus irmãos descobriram que eram judeus e que esse foi o motivo para seus pais fugirem para Londres durante a ocupação nazista. Infelizmente, seus pais já não estavam mais vivos para contar a sua história, então ela e seus irmãos viajaram, pesquisaram e conheceram a verdade sobre os seus parentes. E eis que temos "Inverno de Praga".
O livro é dividido em quatro partes: Parte 1 - antes de 15 de março de 1939, com oito capítulos; Parte 2 - abril de 1939 - abril de 1942, com sete capítulos; Parte 3 - maio de 1942 - abril de 1945, com sete capítulos e Parte 4 - maio de 1945 - novembro de 1948, com oito capítulos. A história é narrada em terceira pessoa, mas possui observações pessoais da autora, assim como fotos de família e fotos sob a perspectiva mundial.
Na parte 1 temos a invasão de Praga pelos alemães, com a presença de Adolf Hitler e seus auxiliares principais: Hermann Goring e Joachim Von Ribbenrop.

"Meus pais me mandaram para a casa de minha avó e tentaram da melhor maneira fazer o que seu amado país fizera: desaparecer". (p. 25)

A primeira parte faz uma trajetória histórica, usa citações de Sherlock Holmes, fala sobre T. G. Masaryk e do assassinato do arquiduque Fernando em Sarajevo em junho de 1914. Mas também fala da história de seus pais: Josef Korbel, o mais novo de três filhos e nasceu em 20/09/1909.

"Um excelente aluno, que desempenhava papéis importantes nas peças teatrais escolares, aborrecia-se com professores enfadonhos e viu-se em apuros por derrubar o chapéu de um estranho com uma espingarda de ar comprimido". (p.57)

E a sua mãe Anna Spiegelová, que foi abordada de forma bem direta pelo futuro marido quando os dois ainda eram bem jovens.

"Boa tarde, sou Josef Korbel e você é a garota mais tagarela da Boêmia". (p.58)

São esses momentos familiares que conseguem amenizar o impacto causado por esse evento mundial.  O livro ainda apresenta trechos de biografias, de discursos importantes e muito mais.

"A memória nacional de qualquer povo é uma mistura de verdade e mito". (p. 120)

Na segunda parte, temos uma atenção maior aos programas humanitários, a transferência das crianças e o governo britânico e americano. 

"Quando uma mulher desesperada envenenou seus dois filhos meio judeus, os vizinhos não deram as costas. Pelo contrário, quatrocentas pessoas - incluindo autoridades municipais - compareceram ao funeral". (p. 147)

Temos ainda muitas menções à Winston Churchill, à Batalha da Inglaterra e o cenário geral da Europa.

Na terceira parte, o foco é o incêndio de Lídice, a Gestapo e os campos de concentração, dando atenção especial a Terezín.

"Entre 1942 e 1944, ao menos 25 membros da minha família foram enviados à Terezín. Nenhum sobreviveu". (p.290)

A quarta e última parte foca na Conferência de Teerã em 1943, em Josef Stalin, nos "remendos" realizados no pós-guerra, nas conferências de paz, nas eleições e no comunismo.
O livro ainda contêm um guia das personalidades, uma linha tempo e um índice de notas. "Inverno de Praga" é uma obra que merece ser lida, apreciada e honrada.

Biografia - Filha de um diplomata tcheco, fugiu com a sua família do país depois da ocupação nazi em 1939, encaminhando-se para Londres, onde viveu com uma das avós. Durante grande parte da sua vida acreditou que a sua família fugira por motivos políticos, mas em 1997 conheceu a verdadeira razão: a sua família era judaica, tendo mesmo três de seus avós falecido em campos de concentração nazis. Depois da Segunda Guerra Mundial, a família regressou à Checoslováquia, mas acabou por se refugiar novamente devido ao domínio Soviético do país e ao regime socialista instalado em Praga. Assim, em 1948, começava a aventura norte-americana da família Korbel e, particularmente, de Marie Jana. Adaptando-se com facilidade à vida americana, em parte devido à experiência inglesa durante a guerra, Marie Jana fez os seus estudos nos EUA e licenciou-se no Wellesley College (Massachussets), no ano de 1959. Nesse ano desposou Joseph Albright, membro da família dos editores e proprietários das publicações Medill. Depois de concluir em 1968 um Mestrado com uma tese intitulada The Soviet Diplomatic Service: Profile of an Elite (publicada em 1968), na Columbia University, Nova Iorque, trabalhou como angariadora de fundos na campanha presidencial derrotada do senador Edmund Muskie, em 1972. Mais tarde trabalhou como assessora-chefe de Muskie. Em 1976, doutorou-se, novamente na Columbia University, defendendo uma tese sobreThe Role of the Pressin Political Change: Czechoslovakia 1968 (publicada em 1976). Neste mesmo ano, fez parte da equipa de trabalho de Zbigniew Brzezinski, conselheiro de segurança nacional do presidente Jimmy Carter. Ao longo das administrações republicanas de Ronald Reagan e de George Bush, na década de 1980 e meados da década de 1990, Madeleine Albright trabalhou em diversas organizações não governamentais sem fins lucrativos (como o Center for National Policy). A sua residência em Washington D.C. converteu-se, nessa época, num autêntico centro de discussão e reunião de influentes políticos e opinion makers do Partido Democrata. Foi também professora de Relações Internacionais na Universidade de Georgetown, na cidade de Washington, entre 1982 e 1993. (Fonte:aqui)

2 comentários

  1. Carol, essa história parece incrível. Aliás, a história por si só já é, de qualquer forma, me refiro ao livro.
    Adoro histórias que envolvam o período de guerras, nazismo, judaísmo e por aí vai. Estou lendo agora Fique onde está e então corra. É emocionante a forma como Boyne narra cada feito se passando na guerra.
    Esse livro que você descreveu parece uma obra prima e a biografia dela é surpreendente. Estou instigada a ler esse livro. Adorei a resenha bem descrita e os quotes, em especial o quarto, que fala sobre a memória de um povo. Perfeito!

    ResponderExcluir
  2. Oi Carol, esse livro parece ser incrível! Eu adoro tudo que é relacionado a Segunda Guerra, principalmente relatos de judeus e tal onde a gente consegue sentir o que eles sentiram, todo o horror que passaram, gosto muito de conhecer a história e esse livro com certeza agrega um pouco mais de conhecimento. beijos

    ResponderExcluir