Resenha: A Filha da Herege - Kathleen Kent

Editora: Nova Fronteira
Paginas: 332
Ano: 2010
*Arcevo pessoal
Em 1752, Sarah Carrier Chapman escreveu uma carta à sua neta revelando um segredo que havia guardado cuidadosamente por seis décadas. Era um relato assombroso sobre os horrores de uma aldeia da Nova Inglaterra chamada Salem e que obrigaram Sarah, na época com apenas dez anos, a tomar uma decisão que mudaria sua vida para sempre. Uma história assustadora de uma época onde não se podia confiar em ninguém: conspirações, traições, meias verdades e uma crença que domina as pessoas através do medo. Descendente direta de Carrier, a autora traz à vida a Nova Inglaterra puritana em seu período mais sombrio, assim como uma família unida pela confiança na verdade e pelo amor de seus membros uns pelos outros.
Em 1752, Sarah Carrier Chapman, doente e confinada em sua casa, escreve uma carta à neta revelando um segredo cuidadosamente guardado por seis décadas: um relato sobre os episódios ocorridos em Salem -uma aldeia da Nova Inglaterra - que a obrigaram, ainda menina, a tomar uma decisão que mudaria sua vida para sempre.
A história se passa entre 1690 e 1692. Fala sobre uma família que superou dificuldades, intrigas, doenças e acusações, numa época em que varíola matava sem piedade, e as pessoas eram acusadas de bruxaria por qualquer motivo.
É a história de uma família que, apesar das diferenças de personalidade e a dureza da vida, se amam incondicionalmente.


Sara é uma menina de dez anos que vê sua vida e a vida dos seus, em suas pequenas mãos. E o que uma criança tão jovem, poderia decidir sobre um assunto de tamanha responsabilidade?
Uma leitura tão fácil e tão gostosa, que você nem percebe o tempo passar. Parece que você ta dentro do livro, revivendo tudo, ou, ouvindo a neta de Sarah, Lidya, ler a carta pra você.
O livro conta com suavidade o verdadeiro terror de quem era acusado de bruxaria em Salem. Homens e mulheres, condenados à forca, apenas por olhar diferente para outra pessoa. A religião tinha um poder absurdamente grande nessa época. Ninguém ousava desacatar uma ordem vindo dela.
Acredito que essa história realmente se passou algum dia. O que é muito triste e me faz pensar, em quantas mulheres, morreram injustamente. Julgadas e condenadas em nome de Deus. Quantas foram queimadas apenas por viverem de uma forma “diferente”?


É basicamente impossível não comparar esse livro com os dias de hoje. Tirando a parte de queimar na fogueira, a religião ainda tem um poder muito grande sobre a vida das pessoas e, principalmente de nós mulheres. A fogueira só se tornou diferente, hoje não nos colocam presas em vigas, com lenha ao nosso redor, ou nos enforcam em árvores, mas nos expõem para o mundo através da internet, nos enforcam quando tentam nos calar, quando não nos deixam decidir por nós mesmas, quando ainda querem ter poder sobre nosso corpo e nossas decisões. Há ainda muito que se lutar pela independência e o emponderamento feminina, pelo direito de tomar nossas próprias decisões, pelo direito de se expressar e decidir o que é melhor para nós, sem que a igreja ou o estado, tente intervir como se fossem nossos donos. Felizmente, muita coisa já mudou ao longo dos séculos, mas a luta continua, ela não para nunca.

Comprei achando que era uma história arrepiante e tenebrosa sobre bruxaria, -o que não deixa de ser- levando em consideração que naquela época, bastava uma palavra errada, um olhar mais intimidador, para sermos presas, jogadas em cadeias improvisadas em porões, acorrentadas pelas mãos sem o mínimo de cuidado, passando fome, e finalmente enforcadas sem o direito de defesa.
São tantos elogios que eu tenho, que eu poderia ficar enumerando aqui o resto do dia.

Tive sorte de encontrá-lo em uma pilha de livros em uma feira. Já estava pronta para ir ao caixa pagar o que já havia escolhido, quando me deparei com esse. O título me ganhou e, quando comecei a ler, percebi que fiz a escolha certa.

3 comentários

  1. É tão complexo lermos um livro de um século passado para enxergamos as diferentes tão gritantes de mudança de cultura e comportamento. Nunca havia visto o livro, e ao ver a capa dele, tive a mesma impressão sua ao ver ele, então foi uma agradável surpresa saber mais sobre sua historia. Creio que seja uma leitura super bacana, e envolvente também.

    ResponderExcluir
  2. Olá não conhecia este livro e achei bem interessante, nunca li nada que se passa nesta época de bruxaria,sua resenha está perfeita concordo com você que a fogueira apenas mudou mais ainda temos que lutar muito.
    bjs

    ResponderExcluir
  3. Olá!
    Gostei do livro, tem uma temática muito maravilhosa. O tema que é abordado nesse livro é muito complicado em ser contando em livros. Fiquei bem curiosa com esse livro e a personagem é muito corajosa e muito forte.

    ResponderExcluir