Resenha: O Jogo do Amor e da Morte - Martha Brockenbrough

Editora: Verus
Páginas: 304
Ano: 2017
Gênero: Jovem adulto / Literatura Estrangeira / Romance
Onde Comprar: Amazon

*Livro lido e resenhado também no blog PS Livros.
Marco Antônio e Cleópatra. Helena de Troia e Páris. Romeu e Julieta. E agora... Henry e Flora.
Há séculos o Amor e a Morte escolhem seus jogadores. Eles estabelecem as regras, jogam os dados e ficam por perto, prontos para influenciar, em busca da supremacia. E a Morte sempre ganhou. Sempre.
Mas pode haver um casal cujo amor realmente mude esse jogo?
Flora Saudade é uma garota afro-americana que, de dia, sonha em se tornar aviadora e, à noite, canta nos esfumaçados clubes de jazz de Seattle. Henry Bishop nasceu a alguns quarteirões e milhares de mundos de distância, um garoto branco com o futuro garantido — uma rica família adotiva em meio à Grande Depressão, uma bolsa de estudos para a faculdade e todas as oportunidades do mundo.
Os jogadores foram escolhidos. Os dados foram lançados. Mas, quando seres humanos fazem suas próprias jogadas, ninguém pode prever o que acontecerá em seguida.
Dolorosamente romântico e brilhantemente imaginado, O Jogo do Amor e da Morte é uma história de amor inesquecível.


Olá leitores queridos, como estão? O livro da vez hoje é O Jogo do Amor e da Morte.
Este livro me surpreendeu muito, mas muito mesmo.

Vamos conhecer?

O Jogo do Amor e da Morte trás uma história onde Amor e Morte personificados literalmente promovem um jogo entre si a séculos, onde ambos escolhem um jogador e quando eles crescem se ficarem juntos apesar das adversidades o Amor vence, caso contrário a Morte vence e tem o direito de tomar para si a vida de seu jogador. Esses jogadores são escolhidos ainda enquanto bebês.
"A figura de terno cinza elegante se materializou no berçário e ficou parado sobre o bebê inalando o doce e leitoso ar noturno."
O Amor escolheu Henry que mais tarde se tornaria um jovem órfão e branco que foi morar com uma família rica devido a amizade que seu pai tinha com o pai daquele que se tornou seu melhor amigo também. Um jovem inteligente, sagaz, corajoso e muito amoroso.
"...conhecido como Amor , tirou um pequeno alfinete com cabeça de pérola da gravata e espetou o dedo. Uma gota de sangue surgiu e captou o reflexo da faixa de lua que parava baixa no céu de fim de inverno. Ele se inclinou sobre o berço e deslizou a ponta do dedo sangrando para dentro da boca da criança. O bebê, um menino, tentou sugar, franzindo a testa, as mãozinhas se fechando em punhos.
- Shhh - sussurou a figura - Shhh.
- Esse jogador - ele não conseguia pensar em alguém que ele amasse mais.
Depois de um tempo o Amor tirou o dedo da boca do menino, satisfeito porque o sangue tinha dado um coração sólido ao bebê...pronunciou duas palavras...
- Tenha coragem."
A Morte escolheu Flora que vem de família humilde e é negra, infelizmente não conheceu seus pais, tendo sido criada por Nana, sua avó. Flora é forte, resistente e teve de largar os estudos para ajudar no negócio da família; o Domino, um clube de Jazz, onde ela canta em uma banda. Seu sonho é ser aviadora e reconhecida por todos, porém um sonho distante até mesmo em seus pensamentos, devido a cor de sua pele.
"Na noite seguinte, em uma pequena casa verde do outro lado da cidade, sua oponente fez a escolha. Nessa casa, não havia vitral nas janelas. Nada de berçário agradável: nenhum berço de ferro forjado. A criança era uma menina. Uma menina que dormia em um caixote de maçãs - feliz, porque anda não entendia nada...
Usando um par de luvas de couro macio, a oponente do Amor, conhecida como Morte, estendeu a mão para a criança que acordou e piscou sonolenta para o rosto desconhecido. Para alívio da Morte, o bebê não chorou...Satisfeita, a Morte se concentrou em sua tarefa principal, aliviada quando finalmente sentiu a pressão reveladora atrás dos olhos. Depois de muito esforço uma única lágrima negra se formou em seus cílios... Com o dedo indicador pegou a lágrima. Ela manteve a ponta do dedo sobre a testa limpa e quente do bebê. Devagar, com cuidado, escreveu diretamente na carne da criança, duas palavras que seriam invisíveis, mas teriam poder sobre a criança; mais tarde sobre a mulher que ela se tornaria. Elas a ensinariam, a moldariam. As letras, cinco no total, reluziam a luz da vela.
Um dia.
Depois sussurrou no ouvido do bebê:
- Um dia, todo mundo que você ama vai morrer. Tudo que você ama vai desmoronar em uma ruína. Esse é o preço da vida. Esse é o preço do amor. É o único fim para todas as histórias verdadeiras."
Com essas palavras a morte deixou o bebê e lhe deu um único presente, seu par de luvas, cuidadosamente arrumadas no chão, onde iriam ser encontradas e isso seria a única coisa que a menina, Flora ganharia da Morte, apesar de tudo que a Morte já lhe condenara em seu futuro.

Amor e Morte seguiram observando seus jogadores por dezessete anos apenas esperando que o jogo desse início e o caminho de ambos se cruzassem e a "dança entre Amor e Morte" começasse.

Assim como era de se esperar os dois se encontram conforme crescem uma vez ainda crianças e mais  vezes quando jovens adultos. Enquanto Henry imediatamente se apaixonada por Flora e fica cada dia mais fascinado, Flora, apesar de sentir tamanha atração entende que eles não foram feitos para ficarem juntos; são de mundos opostos tanto pela cor de suas peles, como por todo o resto que os afasta. A história se passa em 1937 onde negros e brancos não se relacionavam, onde o preconceito entre classes sociais eram uma barreira imensa, onde haviam relações por conveniência e onde não era possível ser o que bem entendesse sem encarar um mundo desmoronando ao redor. Enquanto Henry cada dia que passa se sente mais disposto a cometer qualquer "suicídio" social para estar com Flora, ela tenta a todo custo afastá-lo.

Em vários momentos da vida dos dois jovens Amor e Morte interferem na vida de ambos, dentro de suas próprias regras afim de que o jogo possa ter continuidade e um deles sair vencedor. O preço desse jogo, aparentemente insano é alto demais e os jogadores sequer sabem que estão jogando ou sendo manipulados.

Quem será que irá vencer esse jogo eletrizante? Amor ou Morte?

É possível que um viva sem o outro?

Bom.. Eu comecei essa história apenas imaginando um romance desses clichês e adolescente com um "Q" sobrenatural, porém as coisas não foram bem assim e Martha Brockenbrough conseguiu me transportar através de sentimentos muito mais profundos e intrigantes e até mesmo esclarecedores.

A história não apenas aborda o sentimento de um casal que se apaixona em meio a tempos onde não era aceitável um branco e um negro se relacionarem, como também levanta assuntos como amor de todos os tipos e gêneros. O amor de uma avó por sua neta, o amor entre amigos, o amor homossexual em tempos que no mínimo isso seria um escândalo, entre tantas outras questões que conforme vamos lendo, e impossível não sentir, refletir e torcer para que finalmente o Amor vença, apesar de saber que se isso ocorrer muito irá custar.. E mesmo que a Morte vença muito também será tomado..

Tem muitos personagens interessantes no enredo, inclusive as personificações de Amor e Morte e as suas motivações em um jogo que parece no mínimo cruel e insensível!

Só posso dizer - Leiam!

6 comentários

  1. *Vou comentar nos dois blogs a resenha =)
    Ainda não conhecia este livro, mas como uma boa amante de romances, este tem toda uma “pitada” diferente, com uma proposta como se fosse uma releitura de uma historia uma nova forma de contar uma tão conhecida. Adorei as características dos personagens, sem dúvida vai para minha lista de desejados ♥

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    1. Oi Michellli, obrigada pelo comentário.
      Esse livro é um desses que eu nem imaginava que poderia ser tão profundo quanto se mostrou.. Quando peguei para ler, foi mais para passar o tempo, mas pude apreciar com ensinamentos e visões fantásticas sobre racismo, preconceito, amor, ódio, dúvidas, amizade. Eu, sinceramente recomendo!

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  2. Nossa como não conhecia este livro achei a história super interessante e já estou curiosa pra saber quem ganha este jogo,fiquei muito interessada neste livro.
    Bjs

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  3. Então, eu não estava dando nada por este livro.. Me surpreendi muito

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  4. Olá!
    Jáde tinha lido a resenha fiquei bem curiosa com ele. O titulo dele me deixou bastante curiosa e é super interessante, como se fosse um jogo onde há regras é que sempre há um vencedor, e o que mais me chamou atenção foi o tema que é abordado o preconceito, é um tema bastante fluente em nossa sociedade, gostei muito dele.

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  5. Adorei a resenha! me deu ainda mais vontade de ler o livro... adoro quando o livro tem quotes tão expressivos como esses ai... parece que ele deixa uma marca que vai além da leitura...
    Livro adicionado na meta de leitura com sucesso =D

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