Editora: Gutenberg
Páginas: 190
Ano: 2017
* Livro do Clube da Autentica de Outubro
Resenha de: Paula Alves
Não consigo definir o formato do seu rosto, muito menos se aquele borrão embaixo é uma barba rala ou não. Percebo que o cabelo é volumoso e tento desenhar na minha mente as ondas que aqueles fios formam. Uma doença rara diagnosticada na infância nunca impediu Helena de enxergar o mundo, e mesmo com todos os obstáculos, ela é uma jovem alegre, independente e muito sensível. Mas é à noite que Lena sente seu coração se encher de dúvidas e agitação ao se “encontrar” com um misterioso rapaz que surge constantemente em seus sonhos. E, apesar de não enxergá-lo com nitidez, ela sabe exatamente como ele é. Um dia, seus pais precisam fazer uma viagem e a jovem é obrigada a ficar sozinha em casa. Quer dizer... não totalmente sozinha. Sua mãe havia contratado um rapaz para cuidar do jardim. E aquilo que parecia ser uma visita indesejada pode trazer uma enorme mudança em sua vida. Para sempre... “Posso vê-lo mais do que a minha capacidade de enxergar permite.Consigo ver que ele é diferente."
Aos leitores dessa resenha, quero deixar claro que ela esboça minha opinião particular. 

Vou inaugurar minha vida de resenhista falando sobre o livro "Como Eu Imagino Você", do brasileiro Pedro Guerra. 
Sabe aquele livro que tem todos os elementos para ser uma leitura maravilhosa, uma capa fofa que insinua uma leitura prazerosa, mas que no final das contas o livro só te decepciona? Foi exatamente isso que senti ao ler esse livro.

O livro narra a história de Helena, uma jovem de 18 anos, portadora de uma doença que afeta bastante sua visão, que tem sonhos com um rapaz que ela nunca viu na vida, nem mesmo antes de começar a desenvolver sua doença. Ela foi criada com uma certa super proteção, por seus pais e principalmente por sua avó, falecida a poucos meses.

Seus pais, biólogos pesquisadores da vida marinha, sempre viajam em expedições de pesquisa. Na primeira viagem em que deixariam sua filha de visão extremamente limitada, eles, já chegando a seu destino, ligam e deixam uma mensagem de voz informando que contrataram um jardineiro para fazer um serviço e que Helena o receba (Oi? Que pais fariam isso em sã consciência?).
Logo após esse susto inicial conhecemos o "melhor amigo" de Helena, Lucas, companheiro de todas as horas (menos quando ela precisa de campainha para receber um completo estranho em sua casa), por quem Helena se declarou apaixonada uns tempos atrás e foi totalmente ignorada.
E temos ainda o bendito jardineiro, Alex, que, pasmem, é igual ao rapaz dos sonhos que Helena vem tendo.

Até esse momento, achei que iria acontecer aquele velho e bom triângulo amoroso entre a mocinha, o melhor amigo e o jardineiro dos sonhos. Porém o que lemos é uma sucessão de fatos jogados um após o outro, sem maiores aprofundamentos e sem conexões bem desenvolvidas.
Foram muitos os fatos que me incomodaram nesse livro e um deles foi a falta de detalhes nas informações dadas, o que poderia enriquecer o conhecimento culturalmente o leitor. Um exemplo é quando Helena dia a Alex qual é a sua doença: Stargardt. Ponto. Acabou. É como se ele fosse oftalmologista e não jardineiro. Ela não explica, naquele momento, o que é essa doença e fica por isso mesmo. Depois , em alguns momentos, ela cita algumas coisas pelas quais ela passou, passa e vai passar, que foram causa e são consequências dessa doença. Mas a maior parte das informações sobre a Stargardt, eu consegui no Google mesmo. O autor perdeu uma ótima oportunidade de ensinar algo ao leitor.

Outro ponto que me deixou em dúvida: onde se passa a história? Brasil? Estados Unidos? A cidade ele fala que se chama Porto Tempestade, mas não sabemos onde fica. Nem mesmo pelas roupas da melhor amiga de Helena, Jenny-Patriota, que só veste roupas das cores da bandeira. Que bandeira? 
Porém, o que mais me incomodou nesse livro foi a mistura de elementos reais com elementos sobrenaturais, sem qualquer conexão lógica entre si. Uma hora ela sonha com esse rapaz; outra hora ela vai numa vidente que faz um teste e afirma que ela tem uma certa clarividência; de repente estamos falando de corujas como sinal de sabedoria e visão além; e do nada, o pior de tudo, Helena tem uma premonição no meio de um baile. A história da vida real se passando e de repente esses fatos eram colocados no meio, como se fosse a coisa mais natural do mundo. 

Um ponto positivo que eu posso apontar nesse livro é o irmão do Alex, Antony. Ele é uma criança mas que parece ser mais maduro que todo o restante dos personagens. 
Enfim, minha impressão maior desse livro é que o autor estava com preguiça de escrever, de pesquisar, de desenvolver alguns pontos da história. Ele misturou elementos demais e acabou não falando a fundo de de nenhum deles, tornando assim a história rasa, desconexa e rápida demais. Faltou uma bom editor na vida desse autor.
Quem sabe numa próxima obra ele seja melhor orientado e nos dê uma ótima história para ler, porque potencial para isso ele tem.

8 Comentários

  1. Poxa, uma pena que esse livro não tenha te agradado, mas pela resenha acho que ele também não me agradaria, não gosto de histórias em que os fatos são colocados sem sentido e de histórias rasas, gosto de detalhes e explicações, coisa que pelo jeito falta nesse livro, mas se tiver oportunidade com certeza lerei para ver se é realmente isso que o livro nos passa.
    Beijos!

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  2. Oii
    Quando li a sinopse tive a mesma impressão que você, que o livro seria bem fofo e gostoso de ler, mas parece que de fato o autor não se preocupou com a história. É como sempre digo, não é fácil escrever livros que tratem de doenças ou deficiências, quem lê quer informações reais, verdadeiras, e nem todos os autores se preocupam com isso. É realmente uma pena, poderia ser mto bem trabalhado.
    Beijos

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  3. Eu nunca tinha ouvido falar desse livro. Mas confesso que não me interessei muito por ele não. Primeiro porque eu odeio Triângulo amoroso, e segundo porque a história parece meio confusa. E acho que essas faltas de informações vão me incomodar bastante. Esse é um livro que eu nem pretendo ler :/

    Beijos!

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  4. Eu amei a resenha, bem realista, é o tipo de livro que me deixaria frustrada, parabéns pela resenha!!!
    👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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  5. Oii
    No começo da resenha, eu ate fiquei interessada, por ter uma personagem com uma doença assim. Mas já achei bem estranho os pais da menina mandarem ela receber o jardineiro. E eu não gosto de triângulo amoroso. Também não gostei de saber que o autor colocou uma doença diferente na história, mas nem explicou ela direito. E também não gostei de saber que tem elementos sobrenaturais na história.
    Eu realmente não fiquei com vontade de ler esse livro =/
    Bjss ^^

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  6. Não gosto de livros que tenham personagens com doenças, evito ao màximo. E a resenha fez ver que jamais vou ler esse livro. Parece ser bastante cansativo. Estou na fase dos livros alegres apenas.

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  7. Olá!
    Nossa, eu li pontos positivos desse livro e ver que não te agradou e bem frustante. Eu tenho curiosidade de ler esse livro, algumas coisas realmente não agradam na leitura mas estou bem curiosa por ele.

    Meu Blog:
    Tempos Literários

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  8. Olá ;)
    Esse livro foi o escolhido do clube do livro da minha cidade, mas confesso que não participei pois a leitura não me interessava.
    Acredito que se fosse ler ficaria bem confusa como você, o autor parece mesmo que estava com preguiça, e deve ter sido bem desapontador ler um livro assim sem muitas informações e com elementos confusos na trama.
    Assim como você disse, o autor tinha a faca e o queijo na mão, tinha tudo para falar sobre uma doença não muito falada na literatura e criar um livro diferente.
    Confesso que gosto de sick lits, mas desse vou passar longe pelo visto!
    Bjos

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