Editora: HarperCollinsBrasil
Páginas: 336
Ano: 2017

*Recebido em parceria com a Editora

Sinopse: "Um pedaço de carne; feito para reproduzir; além da sua data de vencimento; parte do rebanho.
Mulheres não têm que se encaixar em estereótipos.
Tara, Cam e Stella são estranhas vivendo suas próprias vidas da melhor forma que podem, apesar de poder ser difícil gostar do que você vê no espelho quando a sociedade grita que você devia viver de um jeito específico.
Quando um evento extraordinário cria laços invisíveis de amizade entre elas, a catástrofe de uma mulher vira a inspiração de outra, e uma lição para todas.
Às vezes não tem problema não seguir o rebanho.
Vacas é um livro poderoso sobre três mulheres julgando uma à outra, mas também a si mesmas. Entre todo o barulho da vida moderna, elas precisam encontrar suas próprias vozes."




Gente, para tudo! Que livro é esse? Esse livro nos traz três mulheres, três histórias que facilmente pode ser a de várias de vocês que estão lendo essa resenha ou a minha quem sabe?! Sei que em Vacas surge um misto de sentimentos e reflexões contando com uma escrita inteligente, engraçada e inspiradora!

A chamada principal do livro já me atraiu, "Nem toda mulher quer ser princesa" e não quer mesmo - sou uma delas e digo que tenho até aversão ao clássico "princesa"!

Neste livro super interessante e atual, cujo título é mais interessante ainda "Vacas", temos três mulheres (já mencionado acima) que vivem suas vidas de maneira nada tradicional ao que se espera de uma mulher. E quando digo isso, é sério. Hoje, em pleno século XXI ainda se espera coisas das mulheres como antigamente. Mulher tem que ser mãe, tem que ser prendada no lar, tem que cuidar dos filhos, lavar, passar, cozinhar muito bem e ainda fazer malabarismo.. Hipocrisia é quem diz que não se espera nada disso! 

Em "Vacas" uma de nossas protagonistas, Tara, engravida de um sexo casual com um desconhecido e em sua primeira transa, isso torna ela uma vaca? Então ela aos trinta e seis anos resolve ser mãe solteira com ajuda da família, não teve interesse em ir atrás do homem com quem transou e se quer conhecia cria sua filha da melhor maneira que pode, dividindo a tarefa de mãe e profissional; que aliás não é uma profissão muito fácil, já que produz conteúdo para televisão, e sempre que se tem um pedido para sair cedo do trabalho ou se atrasa.. É o típico: "Há! Ela é mãe! Culpa da maternidade!". E se não bastasse a própria culpa que carrega, a sua querida mãe que ajuda com Annie (sua filha) acredita que ela precisa arrumar um marido, homem - que possa ser pai de Annie e "o que falta para Tara" - Palavras minhas: "Quem disse que o que falta é um homem?" Sempre pensam isso de mães solteiras! PQP!

Me identifiquei muito com essa história, afinal eu fui mãe solteira aos dezesseis; não aos trinta e seis, porém mesmo assim, fui para o "mundo" e tive que crescer, lidar com o machismo, hipocrisia, e tantas outras coisas que nem sei como expressar aqui - daria um livro certamente; e sempre me senti dividida, como ainda me sinto, entre trabalhar e cuidar dos meus filhos.. Pois não é fácil executar as duas tarefas muito bem! Você acaba por deixar um ou ambos defasados, por fazer, mal executados. No meu caso recente, foi a maternidade, pois tudo ficou à cargo do meu marido, enquanto eu tive que me dedicar por mais de cinco meses a fio a plantões de 48x24.. Tendo pouco ou nada de tempo, ânimo e saúde para ser mãe, mesmo tentando incansavelmente.  Dirá esposa, do lar, amiga e sei lá mais o que esperavam de mim.. Ah Sim! Esperavam uma Super Mulher e encontraram alguém falha, que se cansa e não consegue fazer tudo o tempo todo! (desabafo!) e olha que eu tive o apoio principal do marido para o lar e filhos.. Mas ainda assim eu "falhei" como mãe várias vezes, pois era de mim que os meninos precisavam; falhei como esposa, pois eu chegava morta e não dava a atenção que meu marido necessitava.. Mas concluindo.. Eu não estava sequer me dando atenção e cuidando de mim, pois a necessidade de trabalhar existia e as vezes nos falta "escolha". Se eu pudesse ainda assim, seria profissional, mãe e esposa. Mas óbvio que mexendo no tempo para dedicação a cada tarefa tentando fazer disso algo mais justo! Impossível ser mãe e não achar que estamos falhando feio, quando estamos trabalhando e algo acontece e você se sente impotente! Ou tem aquele evento da caçula e você diz que não pode ir e vê a frustração no rosto dela. Ou mesmo quando seu filho, na revolta da adolescência diz: "Ah! você nunca está aqui mesmo, poderia trabalhar mais então, assim teremos mais dinheiro!". E gente! Eu ensino, educo, explico, desenho e choro. Mas não! Não desisto! Não estou mais trabalhando como antes. Pois quero me dedicar à especializações que vão me deixar mais confortável e feliz. Terei mais tempo para a maternidade que escolhi e abracei e amo! Mas também para ser profissional e desenvolver o meu trabalho de maneira exemplar e profissional. (mesmo sendo tatuada e enfermeira! - incluindo risos aqui!).

Ainda se tem preconceitos aos montes por aí e euzinha aqui que engravidei aos 16 anos, tenho 7 tatuagens no corpo e ainda farei mais e sou mãe; mas não convencional, pois crio meus dois filhos gênero masculino e feminino aprendendo a cuidar das tarefas de uma casa, fazendo luta (jiu-jitsu), entre outros.. pois para mim, não tem essa de menina faz balé, menino luta; menina brinca de boneca e arruma casa, enquanto menino joga videogame e joga futebol.. Minha menina de oito anos joga videogame e meu menino de dezesseis já brincou de bonecas e viu barbie e o cavalo alado quando mais jovem.. E aí? Isso muda algo? Para mim não, não e NÃO! Ele curte rosa e não é gay, mas se fosse, seria pelo motivo de eu ter dado a liberdade de ele ver o que quiser quando criança e brincar do que quisesse? (Barbie e bonecas?) - Gente.. Isso é sério, e muito! Eu ouvia gente dizer, esse menino vai ser "viado" por essas coisas! Primeiro Homossexual não é homossexual por ter brincado de boneca ou ter visto barbie. Meu compadre é homossexual e não fez nada disso! E ACORDA AÍ GALERA! Não chamar mais alguém de "viado" pela frente - não quer dizer que você deixou de ser homofóbico se por trás ainda chama meu primo de "viado"! Seu nojo e preconceito ainda está entranhado em cada poro! Viva a liberdade! Seja quem quiser ser e o que quiser ser!

Então acreditem ou não  minha escolha de trabalhar e dividir tarefas e despesas em casa ainda não é bem vista nem dentro da minha família, dirá fora dela - já recebi altas críticas. 
No trabalho, já ouvi dizer - "há - não combina com a sua profissão essas tatuagens." - quem foi que disse que tatuagem combina ou não com alguma profissão? Ela tem que combinar com a minha personalidade! E ninguém tem nada com isso!

"Ué - engravidou aos dezesseis - não sabia o que era camisinha e não tinha anticoncepcional?" - foi uma questão mais além e pessoal, não interessa aos curiosos de plantão! E não sou "puta" nem "vaca" por isso; pelo contrário tenho moral, caráter, dignidade!

Detesto estereótipos com base em coisas que acham, pensam ou julgam! 

Fora tantas outras coisas absurdas que se for parar para contar aqui vocês vão rir e chorar comigo! Afinal é um absurdo, um cumulo do ridículo! Mas sim! Ainda querem, mesmo nos dias de hoje taxar, impor e marginalizar a mulher por seus atos "impróprios". (revolta inserida aqui!)

Então, voltando a "Vacas" não pude não me identificar de várias maneiras diferentes principalmente com a primeira história. 

A segunda personagem é Camilla - blogueira onde nutre seu blog falando sobre assuntos que abrangem o mundo feminino e ela ganha seu dinheiro dessa maneira. Seu blog fala sobre muitos temas, um deles o de mulheres que não desejam a maternidade e firmou o empoderamento com seus textos. Ela era atípica ao seu meio, sua família, amigos, escola e etc. Através de seus blog encontrou tantas outras mulheres com pensamentos iguais e até diferentes, em situações diversas e uma delas foi Tara. As duas passaram a se corresponder por e-mails e Camilla tentando assim ser um ponto positivo na situação de Tara, ajudando ela com seu mundo "machista" vindo até mesmo de sua mãe que espera que ela encontre uma figura masculina para fazer parte de sua vida. Porém assim como Camilla encontrou diversas mulheres que se sentiam representadas por ela, encontrou também aqueles que quiseram criticar sua "voz", suas escolhas, o que defende e assim não apenas criticando de maneira educada e debatendo, mas soltando muito veneno e raiva!

Stella é nossa terceira personagem, e ela tem uma irmã gêmea idêntica que veio a falecer por conta de um câncer. Isso tornou Stella uma mulher amarga e rancorosa. Sua união com sua irmã era imensa, como gêmeas idênticas e pelo parentesco em si e ao perder sua "base" sentiu-se perdendo tudo. E o que lhe restou? Seguir em frente, enfrentar o luto e viver por ela mesma ou mergulhar em ódio, raiva, opiniões deturpadas, relações vazias e sem sentido e ninguém para perceber que cada vez mais ela se afunda em areia movediça e não consegue sair! Stella é forte candidata a desenvolver o mesmo câncer que sua irmã e isso mexe ainda mais com ela, além da perda que sofreu, do namoro desgastado e de uma melhor amiga que não percebe que ela está gritando sem voz por ajuda!

Bom, no meio do cenário descrito aqui, onde temos três mulheres em situações diversas e com problemas diversos, podemos simplesmente concluir o seguinte.. Com certeza essas mulheres de muitas maneiras que sequer mencionei no meu texto, representam uma de vocês aí do outro lado da tela! Assim como de alguma forma me representou um pouco em algumas questões.. E o principal que se lê, aprende, percebe é o que vem se batendo na tecla a muito.. SOMOS O QUE QUISERMOS! ESTAMOS ONDE QUISERMOS ESTAR! FAREMOS O QUISERMOS FAZER! E NÃO DEVEMOS PERMITIR QUE A SOCIEDADE IMPONHA SEUS IDEAIS OU PRECONCEITOS! 

Mais importante ainda, o fato de se ter uma escolha, escolher algo não significa que não erremos; erramos, podemos mudar.. Fazer novas escolhas e viver novas experiências. Nada disso te torna, me torna menos ou mais mulher. Ideal ou não! Temos escolhas e elas pertencem a cada um de nós! 

Não existe um manual para ser mãe ou não ser! 
Não existe um manual para ser esposa ou profissional! 
Não existe um manual para ser perfeita! 
Existem escolhas que nos levam a algum lugar, certas ou erradas, elas nos pertencem e quem julga não são os puritanos, ou os familiares, machistas e afins e sim VOCÊ!

Conheci o machismo desde sempre.. E ele ainda existe nos dias atuais e não parte apenas de homens, mas também de mulheres que julgam as outras.. "Bora se unir mais manas!". LIBERDADE PARA SER QUEM QUISER O QUE QUISER!


11 Comentários

  1. Olá! Achei importante as questões levantadas pelo livro, o enredo parece estar repleto de drama, que com certeza nos fará refletir sobre nós mesmas, realmente as mulheres, infelizmente, ainda precisam enfrentar muitos obstáculos no seu dia-a-dia, são tantos julgamentos, quando vai casar, quando vai ter filhos, se é boa mãe, boa esposa, boa profissional, a aparência, entre outros que é muito complicado conseguir conciliar tantos dilemas, por isso acho fundamental não se importar tanto assim com a opinião dos outros (sei que é difícil, mas é preciso tentar), e focarmos em nós e em com as pessoas que realmente se importam conosco e nosso bem estar, parabéns pelo desabafo, é sempre bom colocar para fora aquilo que sentimos.

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  2. Uau! O livro não faz muito o meu tipo, mas sua vida pessoal me fez refletir sobre muitas coisas. As vezes fico nesse dilema se estou me importando mais com trabalho e estudo do que minha familia,minha cabeça vira uma bola de neve por pensar sobre isso. Te achei muito guerreira e enfrentamos muito preconceitos, as vezes não somente por ser mãe solteira, ter vàrias tatuagens, mas somente por sermos mulheres. A mentalidade do povo precisa mudar com urgência.

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  3. Eu li o título do livro e pensei mas que coisa esdrúxula, li o resumo aí fiquei curiosa mas depois que eu li a resenha, fechou vou ler esse livro!!!
    Valeu a resenha!!!❤

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  4. Olá!
    Eu já li resenha desse livro e me deixa bem curiosa pela historia. Uma premissa muito boa e uma forma de mostra o que é diferente de ser vaca. Gostei muito da resenha!

    Meu Blog:
    Tempos Literários

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  5. SE EU AMEI? PRECISO LER SIM! AAA
    Só de ler a sinopse e a capa, já levei altos pisões hahaha

    Eu mesma nunca serei uma princesinha, tô mais para heroína da Marvel! <3

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  6. Oi tudo bem?
    Já havia ouvido falar sobre esse livro, todos com comentários que li foram muitos positivos alias! Acredito - mesmo que eu mesma não tenha lido, que esse é um daqueles livros que toda a sociedade deve ler pois ira mudar o pensamento de muita gente que ainda acha que mulher tem que ser apenas dona de casa, isso é revoltante afinal nos mulheres podemos ser o que queremos!

    Beijos

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  7. Oi Karini!
    Já conhecia o livro Vacas e sabia do tema tratado, ainda não li, mas pelo que percebi, todas as mulheres deveriam ler.
    A sociedade é machista demais né? E pior que na maioria das vezes isso começa dentro de casa mesmo, com as cobranças. Minha mãe passou pelo mesmo que você, foi mãe bem nova, solteira, tinha que trabalhar, cuidar de mim, da casa, sofreu tanta pressão, engraçado que eu era uma criança e percebia isso ...
    Parabéns pela força que você e outras tantas mulheres tiverem nessas situações.
    Interessante o título do livro, é realmente para chamar atenção!
    Bjs

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  8. Oi Karini ;)
    Assim que vi a capa do livro a primeira vez, tive logo a impressão errada do tema, como muita gente deve também. Mas depois da sua resenha, só sei que amei a premissa e vou adorar ler Vacas, tenho certeza!
    O livro parece ter três protagonistas bem identificáveis mesmo, que vivem suas vidas e tem problemas que qualquer mulher hoje em dia poderia ter. A sociedade sempre espera encontrar super mulheres, como você disse, que devem ser perfeitas em todos os aspectos da vida, e aí se reclamar!
    Também tenho tatuagem, e já ouvi sim críticas de que não vou conseguir emprego na minha área devido a isso. É um saco, pois quando trabalhamos duro e nos dedicamos, não importa se seu corpo é uma pintura ou se você é uma “princesa”.
    Adorei seu texto, e meu modo de pensar é muito parecido com o seu! Como você disse: "Bora se unir mais manas!" kkkkk
    Bjos

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  9. Eu não sou muito de ler livros desse gênero mas fiquei simplesmente impressionada com essa sinopse e com a temática do livro e com certeza vou dar uma chance a ele Achei bem interessante abordar sobre dilemas na vida das mulheres

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  10. Quando vi a resenha desse livro pensei isso mesmo que o livro passa reflexões não deixando de ser divertido. Apesar de não me identificar com a primeira protagonista que você citou percebi lendo o quão forte pra você foi essa identificação. Nem imagino como seja passar por certos preconceitos por ser mãe jovem, por ter que conciliar emprego e filho, além de tentar conciliar com tempo pra você mesma e marido. Acho que pra mim a frase que resumiria toda a resenha é "Não existe um manual para ser perfeita", simplesmente não existe. O livro parece ser ótimo, trazendo questões a serem discutidas não só com alguém, mas internamente também.

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  11. Já estou encantada e doida pra ler o livro! O título já é bem interessante imagine o conteúdo!

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