Resenha: O Inquisidor - Catherine Jinks

Editora: Contexto
Ano: 2017 
Páginas: 400
Gênero: Romance

Onde Comprar: Amazon

* Recebido de Parceria
Em 1318, padre Augustin, um novo inquisidor, chega a Lazet, na França, disposto a rever processos antigos do Santo Ofício. Pouco tempo depois é brutalmente assassinado e seu subalterno, Padre Bernard, é encarregado da investigação. No entanto, ao tentar proteger quatro mulheres, ele próprio se torna suspeito por seus pares. Acusado de assassinato e perseguido como herege, Bernard terá que lutar por sua vida e a de suas protegidas. As violências praticadas em nome da religião, o intrincado jogo de interesses dos poderosos, o fanatismo, a caça às bruxas e as relações marcadas por luxúria, amor e traição fazem deste romance histórico uma narrativa arrebatadora e – por que não? – terrivelmente atual. Amor, crime, traição, fanatismo: uma trama surpreendente em um livro arrebatador sobre um dos períodos mais instigantes da história.
"O Inquisidor" é um belíssimo romance que irá retratar a sociedade na época em que as mulheres eram vistas mais como um incômodo pela Igreja do que seres humanos. A história começa com uma carta para o Padre Bernard de Landorra, mestre geral da Ordem dos Pregadores escrita pelo Padre Bernard Peyre de Prouille. Na carta, vemos um pedido sincero de um homem que tem a mente a frente do seu tempo, para que tanto ele quanto aqueles que ele protegem sejam julgados de forma justa, com benevolência. É a partir dessa carta que observamos toda a jornada do Padre Bernard e seu conflito entre sua fé e o que a Igreja acredita que deve ser feito.

Com uma narrativa bem intimista em primeira pessoa, inicialmente observamos as impressões que o Padre Bernard tem do Padre Augustin. Para ele, o Padre Augustin é um homem idoso, que cumpre penitências autoimpostas um pouco rígidas demais e que tem um aspecto de doente. Um homem fisicamente fraco, mas com uma força espiritual e de caráter imensa. Então, quando Padre Augustin é brutalmente assassinado o Padre Bernard é encarregado de investigar e apontar um culpado.

Com a morte do Inquisidor, um novo é enviado ao local e logo fica claro para o Padre Bernard que esse novo Inquisidor tem ideias próprias e fará de tudo para apontar aqueles que acredita serem os culpados.
"E foi assim que perdi a amizade do prior. Eu não entendera, até esse momento, quão profundamente sua escolha para o cargo havia inflado seu senso de dignidade. Eu não entendera que, ao desafiá-lo, parecia, a seus olhos, fazer pouco de sua competência e questionar seu direito ao cargo. Talvez, se tivesse compreendido isso, eu não estaria na situação que me encontro." (p. 180)
Padre Bernard é um homem que realmente acredita na justiça e não saí acusando qualquer um, principalmente as mulheres pelo fato de serem mulheres (descendentes de Eva e do pecado).  Agora é uma questão de tempo para que Padre Bernard consiga salvar-se e as mulheres que estão sob a sua proteção. As quatro mulheres citadas na obra, são mulheres que vivem isoladas, mas que tiveram contato com o padre Augustin pouco antes de seu assassinato.

O livro é arrebatador. De forma minuciosa, a autora constrói um enredo rico, cheio de polêmica, mas que demonstra claramente como a Igreja agia na época. A Igreja agia como uma irmandade, mas de forma rígida e autoritária, de forma que não poderiam existir Padres com consciência. Sua doutrina deveria ser pregada e defendida com furor e não havia espaço para indivíduos que não acreditavam que as mulheres eram a representação do pecado e de todo mal na Terra. Com muitos segredos, intrigas, reviravoltas e polêmicas, o enredo irá prender a atenção do leitor do início ao fim.
"E nenhum deles imaginava que meu coração ansiava pelas pessoas que tínhamos deixado para trás." (p. 160)
A linguagem é um pouco rebuscada mas combina perfeitamente com a história e com a época em que se passa. Os personagens são muito bem construídos, complexos e cheios de falhas. E o enredo sem dúvida um trabalho minucioso de pesquisa e dedicação da autora.
Em relação à revisão, diagramação e layout a editora merece os parabéns pelo cuidado com a obra. Com pequenas imagens nas páginas e uma revisão minuciosa, o cuidado da Editora Contexto apenas enriqueceu ainda mais esse maravilhoso texto.
"- E onde há demônios, certamente há magia negra. Acredite, irmão, você é um dos cegos que não querem ver." (p. 244)

Um comentário

  1. Eu amo livros que retratam o passado, seja ele ficcional ou não, livros de época sempre me fazem viajar e, confesso que esse me chamou muito a atenção, afinal nunca li nenhum como ele. E, embora eu ainda não o tenha visto, concordo com você, a editora realmente merece nosso parabéns ^^
    Amei a resenha e a sinceridade contida nela, gosto muito de honestidade.

    xoxo
    www.foradocontexto.com.br

    ResponderExcluir