Resenha: A amiga de Leonardo da Vinci - Antonio Cavanillas de Blas

Editora: Contexto
Autor: Antonio Cavanillas de Blas
Páginas: 256
Gênero: Ficção Espanhola / Ficção Romântica
Onde comprar: Amazon
* Recebido de Parceria*

Sinopse : A amiga de Leonardo da Vinci é o relato de uma mulher extraordinária, que viveu em uma das épocas mais apaixonantes da História e foi próxima de um dos homens mais fascinantes de todos os tempos. Cecília Gallerani teve a coragem de desprezar um casamento arranjado, tornou-se amante do poderoso Duque de Milão, teve contato com reis, nobres, artistas, religiosos e inventores, presenciou ascensão e queda de reinos. A saga única de uma mulher livre em plena Itália Renascentista. *Dama com arminho, que enfeita a capa deste livro, é uma pintura importante de Leonardo da Vinci que retrata Cecília Gallerani. O quadro é menos conhecido por não estar em um dos grandes museus, mas em Cracóvia, na Polônia. Apesar disso, é considerado por especialistas como sendo do mesmo nível de obras mais famosas de Da Vinci, como a própria Mona Lisa, exposta no Museu do Louvre em Paris. Dama com arminho é a inspiração e o ponto de partida do escritor madrilenho Antonio Cavanillas de Blas, autor deste livro delicioso, que se lê de um só fôlego.
"A amiga de Leonardo da Vinci" é um romance histórico que retrata personalidades conhecidas da história mundial de uma forma nunca antes vista. Inicialmente a história se passa no Castelo de San Giovanni in Croce, Cremone, a dois dias de julho do ano do senhor de 1536. Narrado em primeira pessoa pela própria Cecília, observamos a protagonista com 63 anos de idade, envelhecendo com dores físicas e relembrando seus tempos de juventude. É através dessas memórias que o leitor é levado para uma corte rica de personalidades.
"Tenho medo de olhar no espelho: do meu rosto, o mesmo que já tirou os homens do sério, só restam olhos apagados." (p. 09)
Cecília era a mais nova de seis irmãos de uma família abastada e com uma infância feliz (para os padrões da época). Observamos que desde cedo a protagonista enxerga o mundo com certa maturidade e compreensão das regras sociais que de certa forma são incomuns para alguém tão jovem. Com um talento natural para a poesia, aos dez anos de idade é apresentada à sociedade, onde conhece Leonardo Da Vinci que a partir desse momento torna-se seu mentor. Cecília narra em detalhes as peculiaridades do mestre, os rumores sobre sua homossexualidade, suas invenções e opiniões pessoais. Aos onze anos de idade é prometida em casamento para Ludovico Sforza e com ajuda, tenta adiar ao máximo esse compromisso.
Mas é a partir do ano de 1489 que a narrativa torna-se mais densa, envolvente. Cecília, aos 16 anos de idade, chama a atenção do Mouro, o Duque de Milão e a partir daí integra sua corte, participando de debates filosóficos, científicos e artísticos para logo em seguida tornar-se amante do Mouro.
O romance entre os dois foi arrebatador. O Mouro é intenso e deixa claro a possessividade que possui em relação a sua protegida. Os anos na Corte são repletos de altos e baixos e Cecília navega entre indivíduos que marcaram a história, como Isabel de Aragão, Lucrécia Bórgia e tantas outras mulheres que com sua força interior e resiliência sobreviveram em um mundo cruel que as privava de direitos como indivíduos.
Cecília dedica também boa parte de sua narrativa ao seu relacionamento com Leonardo Da Vinci. Sua amizade incomum mas resistente ao tempo e a distância e sobreviveu a inúmeros golpes políticos e traições.
Um dos pontos mais interessantes dessa narrativa intimista é a perspectiva feminina nesse período da história. Era comum casarem-se ainda crianças, serem subjugadas pelos maridos e ainda por cima sofrer com um constante sorriso no rosto. Cecília demonstrou-se uma jovem espetacular, com uma força ímpar e compreensão além do seu tempo.
"Aquele homem vindo de Vinci, pequeno lugar perto de Anchiano, próximo a Florença, se impunha pelo seu aspecto majestoso e saber fora do comum." (p. 34)

5 comentários

  1. Oi, Carolina, tudo bem?
    Eu não conhecia o livro e a premissa dele me intrigou bastante e fiquei com vontade de ler. Eu gosto muito quando o livro mistura ficção à realidade, isso me anima ainda mais para ler. Só acho que a possessividade do Mouro deva me incomodar muito durante a leitura, mas só lendo mesmo para poder ver o desenvolvimento disso.

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  2. Sinceramente a impressão que eu tive da sua resenha e que é uma leitura bastante densa, pois era uma época em que a filosia dentre outras teorias estavam em alta, e sabemos a complexidade dessa temática. Fiquei curiosa pois mistura ficção e realidade, e o fato de Da Vinci ter sido o mentor da personagem nos desperta certo interesse, até por outros fatores. Quem sabe futuramente eu não resolva dar uma chance a leitura, espero gostar da leitura tanto quanto você.

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  3. Oi, tudo bem? Opa, meu tipo de leitura! Gosto muito de historicidade e ficção juntas! Gosto muito de saber sobre pessoas famosas, especialmente os filósofos. Fico feliz que a narradora seja determinada e livre, que não se deixou sucumbir pela época que, realmente, era cáustica com as mulheres. Parece ser uma leitura densa, mas adoro as desse tipo, porque sempre podemos tirar lições grandiosas.

    Love, Nina.
    www.ninaeuma.blogspot.com

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  4. Olá,
    Eu realmente não leio romances históricos, creio que se li dois na vida foi muito. Sempre acho que a história é um pouco distorcida, porém achei interessante este conter uma figura tão conhecida.

    Debyh
    Eu Insisto

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  5. Oi, Carolina! Eu já tinha visto esse livro por aí, mas não sabia que a personagem era real. Achei a premissa muito boa, uma história de uma mulher sobretudo forte. Atiçou minha curiosidade.
    Bjs
    lucy - Por essas páginas

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