Resenha: Os Porões da Antártida - Raymundo Teles

Editora: Talentos da Literatura Brasileira
Páginas: 456
Ano: 2019
Gênero: Ficção
* Recebido em Parceria com o autor
Sinopse - Um mundo subglacial e altamente tecnológico, quase um completo desconhecido, reina debaixo de milhões de toneladas de gelo. Um pequeno e próspero reino em uma região desértica da África ocupado por uma miríade de povos e etnias, cujas lendas são repletas de magia e mistério. Uma majestosa caverna milenar na Etiópia, no cimo de montanhas escarpadas e abruptas, onde vive uma estranha comunidade que preserva seus mitos, conhecimento e uma gnose que a difere do mundo tido como civilizado. Na embaixada australiana na Antártida, na Cidade de Cratera Nevada, um velejador se depara com uma série de fatos enigmáticos como o não solucionado sequestro e assassinato de atletas por um feiticeiro do gelo no singular e estranho reino africano, fazendo a ligação entre mundos obscuros em uma trama que vai envolver rainhas, princesas, detetives, bruxos, gigantes e monstros.
A história começa com um prólogo narrado em primeira pessoa, onde o narrador descreve que ele e várias outras pessoas estavam presos em um cativeiro mantido pelos "homens". Por ser em primeira pessoa, trata-se de uma narrativa mais intimista, pessoal que vai alternar com trechos do diário da Dra. Íris , uma médica francesa que terá um papel importante na trama.

Após o prólogo, somos apresentados a um novo universo, que será narrado em terceira pessoa.


"Os porões da Antártida" tem como pano de fundo um mundo extraordinário, Túris. O povo turisiano possui características físicas diferenciadas e tecnologias avançadas. A cultura é focada no trabalho e na racionalidade, sendo que ciências mais abstratas não são exatamente o forte dos turisianos. Os avanços tecnológicos deles são inúmeros e são detalhados no enredo aos poucos, deslumbrando o leitor conforme avança na leitura.
"Esse povo tão bizarro tinha um parentesco com os homems que habitavam a Terra e, portanto, também podiam ser chamados de humanos. Aos forasteiros que se interessavam diziam ser sua pátria, Túris Antártica, e seu gentílico, gelos ou turisianos, nomes pelos quais se tornaram conhecidos por todas as nações da Terra." (p. 19)

A história irá se passar principalmente na Antártida, no ano 198 e o leitor irá acompanhar Sizídia, uma turisiana trabalhadora e orgulhosa do seu povo. Durante uma de suas missões, ela encontra um homem na neve. O homem, Koell Bryan, é um sociólogo que se perdeu.

Koell é um homem curioso por natureza e fica estupefado ao perceber as maravilhas de Túris e inconformado com o fato de que todos esses avanços não são compartilhados com o mundo. Mas mais do que tudo, Koell fica deslumbrado com sua salvadora, a Sizídia.

Sizídia é uma mulher auto-suficiente, independente e que não gosta de ficar a toa. Como uma boa turisiana, o seu foco é no empenho de melhorar a qualidade de vida do povo. Mas ela também não esconde o interesse que Koell desperta nela. Porém, quanto mais os dois se aproximam, mais eles percebem que existem "fatores externos" que ambos desconhecem. E as respostas que encontrarem pode mudar tudo...

"Os porões da Antártida" é um livro complexo e muito bem estruturado, que apresenta uma sociedade completamente diferente daquelas que conhecemos. De uma forma perspicaz, o autor criou um enredo que engloba diversos países e povos, e consegue demonstrar que não existe uma sociedade perfeita.


No enredo, o leitor tem uma visão ampla de uma sociedade. Temos sua cultura, suas crenças, seus poderes políticos e todas as estruturas que a fundamentam. O autor Raymundo Teles foi minucioso na composição da história e isso é perceptível durante a leitura.

O livro também tem romance, mas de forma não convencional. Vemos um casal que possui crenças completamente diferentes, com origens diferentes e que se expressam de forma diferente. Em alguns momentos, temos até mesmo a impressão de que é um romance mais clínico, mecânico, mas ao adicionarmos tudo o que aprendemos sobre o povo, observamos que se trata de uma forma diferente de amar.

O livro também possui mapa, calendário, imagens e outros auxílios visuais que tornam a história ainda mais lúdica.
""... as mulheres serão comuns a todos esses homens, e nenhuma coabitará em particular com nenhum deles. Os filhos serão comuns e nem os pais saberão quem são os seus."" (p. 94)

Um comentário

  1. Comecei ler esse livro essa semana, já estou na página 22 e estou gostando bastante!

    Meu Blog: Site Loterias

    ResponderExcluir