Resenha: Eleanor & Park - Rainbow Rowell

Editora: Seguinte
Páginas: 398
Ano: 2020
Gênero: Ficção / Romance / Jovem Adulto
* E-book recebido em Parceria com a Editora.
Sinopse - Eleanor é a nova garota da cidade e ela nunca se sentiu mais sozinha. Todas as roupas estranhas, o cabelo ruivo caótico e uma vida familiar cheia de problemas, ela não poderia ficar mais de fora nem se tentasse. Então ela senta no ônibus ao lado de Park. Calmo, cuidadoso e, aos olhos de Eleanor, impossivelmente legal, Park acredita que ficar fora do caminho é o melhor jeito de sobreviver ao colegial. Devagar e instantaneamente, através das conversas tarde da noite e uma grande pilha de fitas, Eleanor e Park se apaixonam. Eles se apaixonam do jeito que sempre é a primeira vez, quando se tem 16 anos, e não há nada e tudo a perder. Ambientado no ano escolar de 1986, Eleanor e Park é chocante, engraçado, triste e verdadeiro, uma viagem nostálgica para quem nunca esqueceu do seu primeiro amor.


Narrada em terceira pessoa, a história fala sobre dois jovens completamente diferentes, mas que tem muito em comum. A história se passa em 1986 em Flats, um bairro considerado de baixa renda na época.

Park Sheridan é um adolescente quieto e tranquilo. Filho de um casal mestiço (o pai é um veterano de guerra e a mãe é coreana - os dois se conheceram no exterior e o pai de Park a trouxe para os Estados Unidos) e com um irmão mais novo, o Josh, a rotina de Park é calma e cheia de atividades, como por exemplo, o tae kwon. Apesar de ser um bom filho, a dinâmica entre Park e o pai nem sempre é das melhores, pois o adolescente tem a impressão de estar sempre decepcionando o pai por não ser "mais" - mais corajoso, mais determinado, mais empenhado.

Os pais de Eleonor são divorciados e seu pai nunca foi um homem apegado aos filhos. O pouco tempo que ele dedicava a Eleonor era para criticar o seu peso. Com o divórcio, a mãe de Eleonor casou-se novamente, com Richie, um verdadeiro perdedor. Richie vive bebendo e agredindo a mãe de Eleonor, que aceita tudo quieta. Richie até mesmo expulsou Eleonor de casa e agora que ela retornou, sabe que precisa se passar por invisível para sobreviver em um quartinho que divide com os outros três irmãos.

A família de Eleonor é desestruturada, emocionalmente abalada e vive em uma situação de pobreza, onde a adolescente precisa usar roupas encontradas em brechós ou em qualquer outro lugar. Eleonor não tem muitas opções, sendo assim, sempre chama a atenção com o cabelo ruivo, seu tamanho e as roupas excêntricas.

E é no primeiro dia de aula que Eleonor entra no ônibus do colégio e automaticamente se torna um alvo e acaba dividindo o banco com Park. O que começa sendo um grande incomodo para os dois, vai se tornando uma amizade silenciosa, com trocas de HQs e músicas. Park não faz ideia de quanto esses tesouros que empresta para Eleonor são preciosos, já que a garota vive uma vida doméstica tumultuada.
''E se Park percebesse que todas as coisas que ele achava tão misteriosas e intrigantes nela fossem apenas... tristes ?''
Park tem uma personalidade branda, até mesmo submissa e acaba se encantando com Eleonor, por ela não se importar com a opinião alheia, por usar roupas diferentes e por ter opiniões fortes. Essa dinâmica vai se aprofundando e os dois vão desenvolvendo sentimentos um pelo outro.
“Segurar a mão de Eleanor era como segurar uma borboleta. Ou um coração a bater. Como segurar algo completo, e completamente vivo.”
É necessário ressaltar que o livro tem personagens bem estereotipados. Park e sua mãe são exemplos disso, mas também temos o vizinho Steve e sua namorada Tina, que representam os valentões da escola. Steve é descrito como um idiota e Tina, uma garota baixinha e cruel. Não sei se foi intencional por parte da autora deixar os personagens assim para reforçar a visão de um bairro de maioria branca e pobre (principalmente por conta da descrição da mãe do Park).

"Eleonor & Park" é uma obra que desperta nostalgia, pois nos traz uma série de músicas e bandas maravilhosas e deixa o leitor com um sorriso no final da leitura.
“... – Pode me perguntar por que preciso de você – ele sussurrou. Nem precisava sussurrar. No telefone, ali no escuro, bastava mover os lábios e soltar o ar. – Mas não sei. Só sei que preciso... Sinto sua falta, Eleanor. Quero ficar com você o tempo todo. Você é a garota mais inteligente que já conheci, a mais engraçada, e tudo que você faz me surpreende. E gostaria de poder dizer que esses são os motivos pelos quais gosto de você, porque isso me faria parecer um ser humano muito evoluído... Mas acho que tem mais a ver com seu cabelo ruído e suas mãos macias... E com o fato de que você ter cheirinho de bolo de aniversário.”
Apesar dos clichês, o livro trata de assuntos muito delicados como a violência doméstica, o bullying e o abuso de forma geral. Vale ressaltar que a trama se passa na década de 80, então a cultura era diferente da dos dias de hoje.
"A parte mais enlouquecedora era Eleanor querer que Park a tocasse de novo.Queria que ele a tocasse constantemente.Até se isso o fizesse entender que ela era parecida demais com uma morsa para ser sua namorada...De tão bom que era. Ela sentia-se como um vampiro que provou sangue humano e não quer saber de outra coisa. Uma morsa que provou sangue humano."

2 comentários

  1. Curto muito seus posts, são muito bem criativos e interessantes.. Sempre estou aqui lendo e compartilhando com minhas amigas...

    Beijos 😘.

    Meu Blog: Helena Alves

    ResponderExcluir